Quem Somos

O ARPAC - Instituto de Investigação Sócio-Cultural é uma instituição pública de carácter científico-cultural, criada pelo decreto nº 26/93 de 16 de Novembro do Conselho de Ministros, com o objectivo de pesquisar, arquivar, conservar e divulgar de forma sistemática a cultura e o património cultural moçambicano.
Constitui área de especialidade do ARPAC, os bens culturais imateriais que de acordo com a Lei de protecção cultural são os elementos essenciais da memória colectiva do povo. Tais elementos são: a história e literatura oral, as tradições populares, os ritos e o folclore, as línguas nacionais e ainda, obras de engenho humano e todas as formas de criação artística e literária independentemente do suporte ou veículo de que se manifestam.

O ARPAC tem a sua sede na cidade de Maputo, e está representada pelo país por delegações provinciais, nomeadamente, na província de Maputo, Gaza, Sofala, Manica, Tete, Niassa e Cabo Delgado e por núcleos instaladores em Inhambane, Zambézia e Nampula.

O ARPAC iniciou as suas actividades em 1983, na forma de um Projecto que entre outros fins, visava assegurar os destinos dos documentos recolhidos durante a Campanha Nacional de Preservação e Valorização da Cultura que teve lugar entre 1978 à 1982.

Com o fim da Campanha de Preservação surgiu a necessidade do tratamento da documentação recolhida. Deste modo, em Julho de 1983, foi assinado um acordo entre o governo de Moçambique e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), para a implementação do projecto MOZ/82/004, que tinha como objectivos contribuir para a preservação do património cultural de Moçambique criando-se assim, o Arquivo do Património Cultural.
Por intermédio da cooperação com a França, foi possível assegurar a partir de 1984, a presença do Professor Michel Samuel (antropólogo), cuja missão essencial era a formação de quadros nacionais habilitando-os em matéria de investigação histórica, antropológica e sociológica, bem como a criação de bases de existência institucional do ARPAC.

Em 1993, pelo decreto 26/93 de 16 de Novembro, o ARPAC deixou de ser um projecto e, passou à instituição pública designada Arquivo do Património Cultural, possuindo a partir de então, uma existência legal e autónoma tutelada pelo ministro que superintende a área da cultura. Em 2002, através do decreto 25/2002 de 22 de Outubro, o Conselho de Ministros alterou oficialmente a designação da instituição para ARPAC-Instituto de Investigação Sócio-Cultural adequando-se às novas atribuições que o Estado moçambicano lhe emanava. A conservação do nome ARPAC na sua designação deveu-se à marca que esta tinha granjeado a nível nacional e internacional.

Desde a sua criação, o ARPAC desenvolveu actividades viradas à preservação do património cultural nacional, realizando estudos e pesquisas específicas sobre os modos de vida, os rituais, as cerimónias tradicionais, celebrações, festividades, as danças, a história de Moçambique, a diversidade e identidade cultural nacional.
Um dos projectos de grande impacto desenvolvido pelo ARPAC foi sobre a História da Luta de Libertação Nacional, tendo recebido do Estado a missão de estudar a Vida e Obra de Heróis Nacionais tombados durante a epopeia libertária, cujos restos mortais tinham sido depositados na cripta da Praça dos Heróis na cidade de Maputo por ocasião da celebração dos 40 anos de sua morte. Deste trabalho foi reconstituída a Vida e Obra de John Issa (2008), Mateus Sansão Muthemba (2008), Tomás Nduda (2008), José Pahlane Macamo (2008), Paulo Samuel Kankhomba (2008), Belmiro Obadias Muianga (2010), Robati Carlos (2012), Romão Fernandes Farinha (2013), Francisco Orlando Magumbwa (2013), Armando Tivane (2013), Luís Joaquim José Mara (2013), Francisco Manyanga (2013), Emília Daússe (2014), Bernabé Adissone Kajika (2014), Milagre Sebastião Mabote (2016), Filipe Samuel Magaia (2017). Por ocasião da celebração do ano Samora Machel em 2011, foi igualmente editada a respectiva obra.

A adesão e ractificação de Moçambique à Convenção da UNESCO de 2003, sobre o Património Cultural Intangível, conferiu ao ARPAC a missão da sua implementação em território Nacional e nos PALOP. Com efeito, o corpo técnico desta instituição ministrou, de forma pioneira, o treinamento em matéria de inventariação do PCI em São Tomé, Cabo Verde e Angola. A par deste trabalho, o ARPAC administrou o inventário do PCI em diversas comunidades com destaque para a Ilha de Moçambique (2008), Chinhambuzi (2013), Nhanssacara (2015), Quissico (2016), Mafalala (2016), Reserva Especial de Maputo (2017) entre outros.

Estes inventários têm-se mostrado fulcrais no registo do rico e diversificado património cultural moçambicano, servindo para diversos fins entre o ensino, o deleite e como informação privilegiada para o turismo. É importante sublinhar que, com a realização dos inventários, o ARPAC transfere, continuamente, as técnicas de preservação e salvaguarda do PCI às comunidades locais respeitando o pressuposto da Convenção que prevê a consciencialização comunitária sobre o mesmo.